Há meses assumi a preceptoria da residência médica em um hospital. Gosto de ensinar, aliás adoro… Mas não contava cuidar da imaturidade dos jovens médicos.
Um médico residente passou por um mês no hospital, não mostrou interesse algum, a não ser com a hora do almoço de ir embora. Constantemente atrasado e com uma boa desculpa na ponta da língua. No último dia daquele estágio, ele não compareceu.
Eu, já de saco cheio, dei-lhe falta e comuniquei ao chefe as peripécias do rapaz. Um ou dois dias depois o rapaz me telefona, grosseiro, questionando como atrevia a ter tal comportamento….
“Oras, se vc faltou, ganhou uma falta…
Quem você pensa que é?”
Boa pergunta, se não fosse a arrogância…
Penso tantas coisas… Penso que os pacientes merecem bons médicos. Penso que cuidamos da vida e morte de tanta gente que nem somos capazes de lembar o nome… Penso que aliviamos a dor… Penso que chegar atrasado não é correto… Penso que não devia perder meu tempo com um médico residente imaturo e que tenho mais o que fazer!
Passados 2 meses recebo a ligação do seu pai…. Sim, pai de um médico de 25 anos!!
“Doutora, mas o que meu filho fez?”
Ouvi as lamúrias e queixas desse pai, perplexa, pois se um pai de um médico de 25 anos ainda toma suas dores e resolve seus problemas, o que esperar?
Realmente, educação vem de casa.